Olá, Xavier, primeiro que nada, muito obrigado por teres aceite o convite de INSECTÍVORAS e de ajudares a divulgar as aves de que tanto gostamos. És criador desde muito novo. Tens ideia de quantas espécies de aves já criáste?
Comecei aos 8 anos, mas apenas com aves domésticas, canários, periquitos e outros. Quando somos jovens não compreendemos tudo e o principal para mim era poder admirá-los e sobretudo alimentá-los bem. Não tenho nenhuma ideia do número de espécies que criei, mas com as minhas instalações actuais crio uma vintena de especíes diferentes
Achas que a criação de aves insectívoras faz parte de um plano de evolução do criador, começando habitualmente pelas autócones ou pelas pequenas exoticas, passando pelos bicos curvos e depois vai aumentando o grau de dificuldade?
PÁGINA SEGUINTEEste ano vou investir em 3 casais, além de mais um outro casal cuja fêmea é uma das minhas primeiras e não acho que vá fazer postura. Coloquei-a com um jovem macho, mas depois veremos o que irá acontecer. Geralmente mantenho vários casais da mesma espécie para ter um recurso em caso de morte ou de cedências e para poder dispensar aves sem consanguinidade. De qualquer forma, são sempre necessários vários casais para poder manter uma determinada espécie em cativeiro, ninguém poderá dizer o contrário !
Segundo lemos no teu blog, adquiriste dois casais em 1999, quantos tens agora?
Não creio, é melhor começar pelos Bulbuls e de seguida pelos Leiothrix, depois podemos pensar em fazer criação da Yuína…..não respondi à primeira questão ! Esta ave é fácil, mas é necessário ter passado por determinadas situações anteriormente para poder conhecê-las, é muito próxima das outras duas espécies.
Que tipo de alimentação lhes dás em período de descanso e na época de criação?
Na tua opinião são aves que criam com facilidade? Recomendarias as Yuínas para quem se quer iniciar na criação de aves insectívoras?
YUÍNAS DIADEMA Entrevista a Xavier Gobemouche
Xavier Gobemouche é um avicultor francês com vasta experiência na criação de aves insectívoras. O associativismo é uma parte importante na sua vida e um aspecto bem representativo da importância que as aves têm na sua vida. O blog http://gobemouche70.skyrock.com/ é um bom exemplo do trabalho de Xavier Gobemouche na divulgação da criação de aves em cativeiro. Assim, não foi surpresa para nós quando acedeu de imediato em conceder-nos esta entrevista, em que entre outros assuntos, nos fala com um carinho especial de uma espécie que lhe é muito querida: A Yuína Diadema.
Quando falámos contigo sobre um tema de entrevista, sugeriste logo a Yuína Diadema. Não sendo uma ave colorida nem com grandes dotes de ave canora, o que te fascina nesta ave?
Dir-se-á que sim, uma vez que a minha formação foi feita com estas aves, não com a criação mas sim com a observação. O meu avô mostrou-me todas as espécies e disse-me os seus nomes, algo que sempre gostei e fiz sem quaisquer guerras e com muita sagacidade ! São aves que podemos domar facilmente, mesmo os individuos selvagens. São também virtuosos no seu desempenho com um canto tão poderoso e mais melodioso do que o de alguns granívoros.
Consideras as aves insectívoras as tuas favoritas?
Sim, é preciso passar por diversas etapas antes de criar insectívoros, eles são como pequenos granívoros mas com mais preocupações (alimentação, voadeiras e observação). Alguns individuos são mais fáceis de criar e outros são quase impossíveis. De qualquer das maneiras, nas criações em que tivermos menos sucesso, é necessário que o criador ponha tudo em causa e aprofunde quais foram os problemas.
É acima de tudo a sua calma. Não é agressiva e não incomoda as outras aves em viveiros comunitários, faz a sua vidinha no seu canto sem nenhuma preocupação. É claro que não é muito colorido mas num piscar de olhos apanha de tudo, é muito ágil em vôo e ainda assim poderiamos tomá-lo por um borboleta quando voa docemente como uma poupa euro-asiática (Upupa epops).
VOLTAR A ARTIGOS A base da alimentação é obviamente o patée universal, de seguida vem o granulado T16 e o uni-complet. Não aconselho a colocar demasiado T16 de cada vez, tendo em conta que eles brincam com aquilo. Dou também frutas, tais como maçã, peras e diversas bagas que congelo para o Inverno. Aliás, é no Inverno que lhes dou mais bagas, assim como outras variedades de fruta. Em termos de insectos, dou larvas da farinha e pinkies, à razão de uma colher de café por dia para cada passaro. Também lhes dou traças, mas isso é para a criação dos filhotes. No Verão também recebem nectar para Loris, que prefiro em relação ao dos Colibris. No Verão consomem também bastantes mosquitos selvagens (uma mais-valia no sucesso da criação dos filhotes, razão pela qual os aviários exteriores são preferíveis). Um ponto muito importante é a água. Quando damos nectar é imperativo fornecer água em simultâneo, para as vitaminas, é também imperativo colocar água sobre os insectos, para polvilhar. Estas aves têm todo o tipo de problemas com a água que não seja pura (indigestão), por isso há que ter atenção a este ponto.